Daqui até o que se pode chamar de melancolia existe um segundo; um sorriso; o amor. Existe o poema; a música; a película fotosensível. Existe a nostalgia da estrada, pavimentada com saudades e cacos de vidro, onde o único destino é uma agonia macia feito a cera fria da vela. O lampejo exausto, em luto eterno por aquilo que não existiu – que, de não existir, morre-se toda noite.
Existe a tristeza salgada, tão antiga quanto o próprio homem. Uma amargura cinza, desimportante e imponente; um sábio passeando incólume através da multidão. Ao limar as gorduras infantis que nutrem o cotidiano, descortina-se: a melancolia pura se sente como um sorriso formado por paisagens cansadas. O sopro diante do abismo que existe entre a vida e o tempo.